Por Roberto Peixoto, g1
Nem os cientistas concordam totalmente sobre quando foi que o último “super” El Niño aconteceu.
Para parte deles, o fenômeno mais recente desse porte foi o de 2015-2016, considerado o mais intenso já registrado na era moderna.
Já outros pesquisadores incluem também o episódio de 2023-2024, que chegou muito perto do limite usado para classificar os eventos mais extremos.
No caso de 2015-2016, o aquecimento das águas do Pacífico equatorial chegou a cerca de 2,6 °C acima da média, o maior valor já observado por instrumentos modernos.
E a escolha entre uma e outra definição não muda apenas o nome do evento.
Ela ajuda a explicar um padrão que vem chamando a atenção de pesquisadores: os intervalos entre os El Niños mais intensos estão diminuindo.
A previsão da NOAA, agência de oceanos e atmosfera dos Estados Unidos, divulgada no começo deste mês é a de que um novo episódio forte ou muito forte deve se desenvolver até o fim de 2026, com 96% de probabilidade de persistir entre dezembro deste ano e fevereiro de 2027.
á projeções recentes do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) chegaram a indicar valores próximos de 3°C, acima do limiar usado para classificar eventos muito fortes.
Mas interpretar esse número exige cuidado. Isso porque “super El Niño” não é uma categoria oficial única: em geral, cientistas usam esse termo para eventos muito acima da média, mas o limite exato pode variar conforme o critério adotado
A NOAA, por exemplo, reconhece o patamar de 2 °C como o limiar informal para um El Niño “muito forte” ou “historicamente forte“, enquanto 1,5 °C marca a categoria “forte“.
A medição é feita pelo chamado Oceanic Niño Index (ONI), que acompanha a temperatura da superfície do mar em uma faixa do Pacífico equatorial chamada região Niño-3.4.
“A atmosfera é, por natureza, um sistema caótico”, explica ao g1 Pedro Ivo Camarinha, especialista em Mudanças Climáticas e Desastres e diretor substituto do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).







