27 de janeiro de 2026

Por Leonardo Erys, g1 RN

Conversas captadas pela Polícia Federal apontam como funcionava parte de um possível esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em processos de licitação de saúde em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), é um dos investigados na operação, suspeito de receber propina nos contratos. Ele negou qualquer irregularidade.

A operação foi deflagrada na manhã desta terça-feira e cumpriu 35 mandados de busca e apreensão no estado Rio Grande do Norte.

Segundo apurou a TV Globo, as prefeituras alvos de medida foram Mossoró, Serra do MelTibauParaúSão Miguel e José da Penha — todas na região Oeste potiguar.

A decisão judicial mostra ainda que, de acordo com dados extraídos do Tribunal de Contas do Estado do RN, os volumes pagos pela Prefeitura de Mossoró a uma das empresas envolvidas, entre os anos de 2021 e 2025, totalizaram um montante superior a R$ 13,5 milhões (veja detalhes mais abaixo).

Como funcionava o esquema, segundo PF

 

Em uma das transcrições colocadas na decisão judicial, dois empresários explicam o que chamam de “matemática de Mossoró”.

Na conversa, eles citam um possível pagamento de propina ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, um dos investigados na operação.

Na transcrição do áudio captado em uma das empresas investigadas, os empresários citam um contrato em Mossoró com uma ordem de compra de R$ 400 mil e que, desse total, R$ 200 mil dos produtos seriam entregues oficialmente.

Dos R$ 200 mil que não serão entregues, os empresários citam que:

  • R$ 100 mil seriam de propina, sendo R$ 60 mil desses para Allyson Bezerra, o que significaria 15% do total do contrato;
  • R$ 70 mil seriam de comissão dos sócios;
  • R$ 30 mil seriam das empresas.

 

Na decisão, o desembargador federal Rogério Fialho Moreira diz que os trechos revelam um esquema montado para o recebimento de propina. O prefeito Allyson Bezerra e o vice dele, Marcos Antônio Bezerra de Medeiros, estavam no topo do esquema.

“Nesse trecho da representação, a autoridade policial revela a posição que cada investigado ocupa na estrutura descrita pelos diálogos captados. No topo, estariam os agentes políticos — Allyson Leandro Bezerra Silva e Marcos Antônio Bezerra de Medeiros — que, segundo as conversas captadas, receberiam propina em percentuais definidos sobre os contratos”, citou a decisão.

 

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: RN
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