Por Leonardo Erys, g1 RN
O Ministério da Saúde iniciou nesta semana a implementação de um programa para capacitar famílias e cuidadores de crianças com TEA ou deficiência no Brasil. O país é o primeiro das Américas a adotar esse treinamento como política pública de governo.
O programa é internacional e desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Unicef, estando presente em mais de 30 países.
Segundo o Ministério da Saúde, o programa oferece estratégias para os pais no cuidado cotidiano, no desenvolvimento infantil, em como reduzir comportamentos desafiadores e visa ampliar o acesso a intervenções precoces e de qualidade — mesmo antes do diagnóstico de TEA.
- 👉 O programa internacional se chama Caregiver Skills Training (CST), traduzido como treinamento de habilidades para cuidadores.
O primeiro treinamento prático aconteceu nesta semana no Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), em Macaíba, na Grande Natal, com três formadores internacionais da OMS.
A preparação foi feita com 24 profissionais, que serão supervisores referências nessa implementação inicial do programa em todo o Brasil. Eles começaram a formação, de forma virtual, ainda no ano passado e tem previsão concluírem em junho deste ano.
“São profissionais do Instituto Santos Dumont, profissionais vinculados à Universidade Federal do Rio Grande do Norte e também do Ministério da Saúde. Então, são profissionais de nível superior que têm formação e experiência no desenvolvimento infantil”, explicou o coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Arthur Medeiros.
A escolha do ISD como local do treinamento ocorreu pelo fato do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi, vinculado ao Instituto e habilitado como Centro Especializado em Reabilitação, ser uma referência nacional na rede de cuidados à pessoa com deficiência.
‘Pronunciou umas coisas que nunca tinha falado’
No treinamento, os supervisores tiveram aulas teóricas e também praticaram alguns ensinamentos com famílias e crianças.
Uma das primeiras mães do Brasil a receberem orientações foi a potiguar Robervânia Souza, que tem um filho de 2 anos com suspeita de autismo — ainda sem diagnóstico confirmado.
Ela e o filho, que tem dificuldades na fala, foram selecionados para participar de parte das simulações e das etapas práticas que estavam sendo aplicadas na formação dos supervisores.
Robervânia contou que o filho conseguiu pronunciar novas palavras depois de dois dias de treinamento com os profissionais.
“Eu tinha essa questão de: ‘ó, nossa, 2 anos e ainda não começou a falar?”. E hoje eu entendi, nesses dois dias, que o processo da fala é gradual. Um degrau, depois o outro, e deixar a espera da criança”, falou.
“Eu vi hoje mesmo que ele pronunciou umas coisas que ele nunca tinha pronunciado. Quando eu cheguei em casa, ele já falou o nome ‘uva’, que ele não tinha falado. Então, ele já se dispôs a falar. Eu fiquei muito emocionada por isso”, contou.
“É muito bonito, mesmo apenas em uma semana, ou às vezes em duas sessões, ver a transformação da forma como as famílias lidam com seus filhos, e os ganhos que as que as crianças já demonstram. O quanto que elas aprendem, o quanto que os familiares, os cuidadores e as crianças vão aprendendo juntos, e a gente também aprendendo junto com eles”, disse.
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