A família do potiguar Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, questiona a mais nova versão apresentada pelo governo da Turquia em relação às circunstâncias da morte do empresário no país. Segundo a família, a nova história fala que o brasileiro cometeu suicídio, usando uma toalha, em uma cela localizada na cidade de Esmirna, cerca de 478 km de carro.
Isis Medeiros, advogada e irmã de Lucas, está na Turquia, representando a família. Ao lado do Itamaraty e do consulado brasileiro no país. Por enquanto, o corpo de Lucas de Medeiros não foi entregue.
“As autoridades falaram que ele morreu de overdose no hotel, ao mesmo tempo que falaram que ele estava detido e deportado, e depois falaram pra Embaixada que ele tinha tido overdose na detenção. Eu não posso permitir que o nome do meu irmão seja difamado, ainda mais pelo que ele passou”, lamentou seu irmão Filipe Medeiros.
Os familiares contestam essa informação pelo fato de Lucas não ter um histórico de uso drogas que podem causar uma overdose. E nenhum laudo foi apresentado.
Outra hipótese
No primeiro momento, o governo Turco afirmou que ele foi detido após uma briga de cunho religioso. Logo em seguida, ele seria deportado para o Brasil. A mãe de Lucas chegou a esperar o filho no Aeroporto, mas ele não chegou a embarcar no avião.
Em relação à intolerância religiosa, a família não acredita nessa hipótese. O irmão tinha tatuagens com símbolos do judaísmo, mas não era praticante da religião.
“Ele só tinha orgulho de nossas raízes, mas ele não era judeu, não era extremista, não era nada. Ele foi uma vítima dessa história”, explicou o irmão.
Nova história
A terceira versão contada pelos turcos e informada para a irmã Isis foi que Lucas chegou a ir para o Aeroporto, teve um surto e precisou ser levado para uma prisão em Esmirna, no interior. No local, segundo o Governo da Turquia, ele dividiu uma cela com mais dois prisioneiros muçulmanos. Logo em seguida, ele teria cometido suicídio com uma toalha.
“Ele não se matou. Eu nem sei se ele, de fato, foi morto pelos presidiários, que é muito mais fácil pro governo falar que a gente colocou ele numa sala com uma galera do islã. A gente não sabe, só que a gente precisa saber é sobre o corpo do meu irmão, saber como é que fica esse traslado.”, afirmou.
Traslado do corpo
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul e mantém contato com a família para prestar assistência consular. A pasta acrescentou que, por razões relacionadas à privacidade, não divulga informações específicas sobre casos individuais de atendimento a cidadãos brasileiros.
Além de buscar respostas sobre a morte, a família agora tenta viabilizar o transporte do corpo para o Brasil. Segundo Mateus, o custo informado para o procedimento foi de aproximadamente R$ 70 mil. A prioridade, afirma ele, é reconhecer o corpo e esclarecer o ocorrido.
Redação Tribuna do Norte








