9 de dezembro de 2024

Quem vive e passa diariamente pelos bairros periféricos do Grande Recife possivelmente já se deparou com jovens e crianças correndo pelas ruas com armas de gel. A brincadeira, que se popularizou especialmente nas últimas semanas, já deixou ao menos 50 pessoas feridas e motivou a proposição de um projeto de lei estadual para proibir o comércio desse tipo de arma.

Emerson Antônio da Silva é cuidador de idosos e mora perto de uma praça no Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife. Em entrevista à TV Globo, contou que as batalhas com armas de gel acontecem após as 22h e causam transtornos para moradores que são pegos de surpresa com os disparos e o barulho.

“É terrível porque você está na frente da sua casa e, de repente, vem aquela confusão, aquele susto. Todo mundo aparecendo com aquelas armas na mão que, por conta da violência que sempre existe, você não sabe se é de brinquedo, se é de verdade. Quando vê, são os disparos, todo mundo gritando”, comentou Emerson.

 

Segundo o cuidador de idosos, muitas das pessoas que participam das batalhas vêm de diferentes regiões do Grande Recife e marcam disputas entre bairros em locais pré-determinados. Em uma das ocasiões, os disparos começaram enquanto crianças pequenas ainda brincavam na rua.

“Essa praça que tem aqui é na frente de casa, apesar da hora, ainda tinha um bocado de criança brincando no escorrego e nos balanços. Foi mãe desesperada chamando os filhos: ‘Corre, vem embora!’; as crianças correndo com medo e assustadas; as mães também. Quando viu, foi bolinha para tudo que é lado”, contou Antônio da Silva.

A preocupação encontra respaldo no número de acidentes registrados desde que as batalhas se popularizaram. Segundo a Fundação Altino Ventura, hospital de referência em oftalmologia no bairro da Iputinga, na Zona Oeste do Recife, 50 pessoas já foram atendidas com lesões nos olhos causadas por tiros de armas de gel.

De acordo com a oftalmologista Camila Moraes, os pacientes podem sofrer danos severos na visão por consequência dos disparos.

“Os médicos da fundação estão encontrando os pacientes com queixa de dor ocular, baixa visão, inflamações da parte anterior ou interna dos olhos, com lesões corneanas, arranhões, abrasões, sangramento ocular interno. O sangramento ocular pode desencadear outras consequências, como um glaucoma secundário ou perda de transparência da córnea, por exemplo”, comentou a médica.

Por TV Globo

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: Brasil
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