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2 de agosto de 2022

Os 2,9 mil recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio Grande do Norte estão em campo para a coleta de dados do Censo 2022, após dois anos de atraso. Até outubro, os profissionais visitarão aproximadamente 1,1 milhão de residências nas zonas urbana e rural de todos os municípios do Estado, além de comunidades indígenas e quilombolas. A expectativa é de que os primeiros resultados da pesquisa demográfica, com informações sobre tamanho e perfil básico da população, sejam divulgados ainda neste ano. Outras análises mais detalhadas deverão ser divulgadas ao longo de 2023 e 2024.

O lançamento oficial do Censo 2022 no Estado ocorreu na Praça Pública do bairro de Mãe Luíza, zona Leste de Natal, na manhã de segunda-feira (1º), de onde os recenseadores fizeram as primeiras visitas a moradores. A costureira Lenilda Leandro de Morais, de 60 anos, foi uma das primeiras entrevistadas pelo Censo 2022 no Estado. “Acho muito bom para saber a situação atual no nosso país. É uma ação muito importante para que a gente tenha as informações sobre a população”, comenta a moradora da Rua João XXIII.

Com novas ferramentas tecnológicas, a coleta de informações será feita exclusivamente em uma plataforma digital por meio de um smartphone, chamado de Dispositivo Móvel de Coleta (DMC). Pela primeira vez, o IBGE vai incluir uma pergunta sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA) para quantificar as pessoas com autismo no País. Outra inovação será o registro da localização dos domicílios via satélite, elemento que poderá ajudar, por exemplo, a identificar casas em áreas de risco de deslizamento de terra.
“Vamos fazer a geolocalização de todos os domicílios brasileiros”, explica Damião de Souza, chefe do IBGE no RN. “Isso vai auxiliar o planejamento de políticas públicas, além disso, a iniciativa privada utiliza para quando vai fazer investimentos. No IBGE, a gente recebe prefeitos, vereadores, secretários estaduais e municipais, empresários, pessoas que estão com algum tipo de interesse de investimento e elas querem saber dados da população, quantas crianças, idosos, trabalhadores. Neste sentido, o Censo é o retrato mais profundo que o Brasil pode fazer de sua realidade”, complementa.

Outra novidade para a operação censitária deste ano será a utilização de inteligência artificial para comparar os dados obtidos pelo Censo com os de outras pesquisas. De acordo com o IBGE, a medida evita que eventuais falhas no preenchimento dos questionários prejudiquem o resultado final. Ainda segunda a instituição, com a tecnologia do georreferenciamento dos endereços, disputas territoriais entre municípios deverão ser solucionadas com mais facilidade.

No Brasil, a Constituição estabelece que o Censo seja aplicado a cada dez anos, mas neste ano a pesquisa acontece com dois anos de atraso, já que o último ocorreu em 2010. Os motivos para os adiamentos foram a pandemia em 2020 e falta de orçamento no ano passado. Em 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou e o governo federal liberou os R$ 2,3 bilhões necessários para fazer a operação censitária. O coordenador de Operações, Rogério Campelo, diz que o início do Censo representa um alívio.

“Foi frustrante. Faço até uma brincadeira porque antes de entrar no IBGE, eu achava que o pessoal só trabalhava a cada dez anos, depois que eu entrei vi que não era assim. O planejamento demora dez anos. Em 2020 por causa da pandemia a gente não teria condições mesmo, mas em 2021 ficou aquele gostinho amargo porque a gente estava em um momento de melhora da pandemia e fomos impedidos pela falta de orçamento. Houve um corte brutal no orçamento, que inviabilizava o Censo, então nos sentimos decepcionados. Portanto dar início a operação hoje nos deixo muito emocionados”, comenta.

A recenseadora Maryssol de Morais, de 49 anos, participa da elaboração da maior pesquisa demográfica do País pela primeira vez e afirma estar emocionada por contribuir com o raio-x da população. “Sinto que minha ação em campo vai ser importante não só para a sociedade, que vai poder se atualizar, se conhecer, mas também para mim como cidadã. Eu vou ter certeza que estarei contribuindo, que estou participando disso. Me sinto muito emocionada e muito grata por fazer parte da construção dessa história”, comenta.

Tribuna do Norte

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: Brasil
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