Um enfermeiro e uma técnica de enfermagem foram afastados após uma jovem de 19 anos sofrer uma parada cardíaca na UPA Potengi, na zona Norte de Natal, devido ao uso de medicação errada. A informação foi confirmada à TRIBUNA DO NORTE pelo presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte (Coren/RN), Egídio Júnior. Entre outros pontos, o Coren investiga se houve sobrecarga de trabalho dos profissionais.
“Eles [enfermeiro e técnica de enfermagem] foram orientados a procurar o RH, foram acolhidos pelo RH, porque nessa hora também tem que haver o acolhimento dessas pessoas para que se pudesse ter tranquilidade na questão de se conduzir o caso. De que eles pudessem ser ouvidos, de que se pudesse abrir toda uma averiguação sem que eles estivessem expostos a estar no serviço neste momento, o que causa uma tensão maior”, detalhou Egídio Júnior.
O número exato de profissionais afastados ainda não foi confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A paciente que sofreu parada cardíaca após administração de um remédio diferente do que foi receitado tinha chegado à UPA na última terça-feira (16). Após a piora do quadro de saúde, ela foi encaminhada nessa quarta-feira (17) a um leito de UTI de um hospital privado da capital. De acordo com a última atualização da SMS, na manhã dessa quinta (18), a jovem se encontrava estável e sob tratamento intensivo.
Coren confirma erro
A confusão entre o medicamento prescrito e o efetivamente aplicado na paciente foi confirmada pelo Coren, após visita nesta quinta à UPA Potengi. Participaram da comitiva o presidente Egídio Júnior, além de uma fiscal e uma conselheira da entidade, que atua na área de segurança do paciente.
O erro foi confirmado a partir de depoimento colhido com a gerência de enfermagem da UPA e também na comparação entre a prescrição do remédio e o frasco do medicamento administrado na paciente, que eram diferentes. “Como lá funciona como prontuário eletrônico, nós chegamos a visualizar que houve a prescrição de uma medicação. E a que foi administrada, embora seja a mesma dosagem, as miligramas serem as mesmas, a droga não era. A droga era outra”, explicou o presidente do Coren.
O conselho abriu um procedimento de averiguação a partir de denúncias sobre o caso e já está produzindo um relatório sobre a investigação. O documento deve ser concluído até a próxima semana.
Fatores que podem ter levado ao erro
Diante do caso, o presidente do Coren apontou fatores que contribuem para a ocorrência de falhas e erros na aplicação de medicamentos. Um deles é sobrecarga de trabalho, quando há uma demanda muito alta para poucos profissionais. Outra, segundo ele, é a ausência de protocolos que orientem a atuação.
Matteus Fernandes TNONLINE







