30 de março de 2025

Uma jazida de minério de ferro encontrada no Rio Grande do Norte virou a grande aposta da empresa indiana Fomento, com ramificações no Brasil e perspectiva de iníciar as explorações do minério em um intervalo de dois anos. Em fase de estudos e licenciamento, a empresa pretende investir R$ 1,5 bilhão até 2027 no RN, a fim de viabilizar toda a operação. Do montante, cerca de R$ 350 milhões já serão aplicados em 2025, em desapropriações, compra de equipamentos e contratação de fornecedores para fornecimento de água e energia para a planta. Para escoar o ferro ao longo de até 16 anos, a empresa aposta num diagnóstico feito pela própria companhia que aponta que o Porto de Natal, após readequações, pode auxiliar no escoamento para a Europa.

As explorações começaram em 2014, após a chegada da Fomento do Brasil. Desde então, foram feitas diversas pesquisas e diagnósticos no Estado, com aquisição de direitos minerários, exploração, testes, engenharia de pré-viabilidade e viabilidade para garantir que o projeto saísse do papel. O minério foi encontrado entre as cidades de Serra Caiada, Sítio Novo, Senador Elói de Souza e Lagoa de Velhos, localizados nas proximidades da microrregião Borborema Potiguar.

Antes, a Licença Prévia obtida em outubro de 2024 junto ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) previa para a jazida encontrada uma extração de 1,5 milhão de toneladas por ano. No entanto, estudos e diagnósticos de campo feitos por técnicos da empresa apontaram a potencialidade para ampliar a extração para 2 milhões de toneladas anuais, sendo necessária uma nova Licença Prévia. A solicitação foi feita em novembro do ano passado, com perspectivas de obtenção até o final de 2025 ou começo de 2026. No pedido, a empresa precisou apresentar Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). O Idema confirmou o recebimento do estudo.

“Temos uma licença preliminar do Idema e estamos buscando outra, porque o projeto cresceu de tamanho. Vamos produzir mais e pedimos uma adequação da licença preliminar”, explicou à TRIBUNA DO NORTE o country-representative da Fomento no Brasil, Rodrigo Bezerra Coelho Santos.

Sendo a grande aposta da empresa no mundo, o pellet feed encontrado no RN é um minério de ferro considerado diferenciado e conhecido como “minério verde”, sendo mais fino, mais rico e com baixos níveis de impurezas. O pellet feed é considerado uma matéria-prima promissora para a descarbonização do setor de siderurgia. Após processado, a expectativa da empresa é de que o grau de teor de beneficiamento atinja 67%.

“É um minério de ferro premium para ser exportado que vamos produzir e é considerado de alto teor, sendo próximo de 67% de teor de minério de ferro. Por ser de alto nível, ele tem a característica de ser utilizado com a produção do aço verde, que envolve esse tipo de minério. Nossa ideia é ser escoado pelo Porto de Natal”, explica o gerente geral do projeto Ferro Potiguar.

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: ECONOMIA, RN
FAO
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