Poucos confrontos do futebol reúnem tantos elementos explosivos quanto Inglaterra x Argentina, partida que acontecerá nesta quarta-feira (15) e marcará as semifinais da Copa do Mundo de 2026. O acirramento do duelo tem origem dentro e fora dos gramados.
O primeiro alvo de disputa dos dois países não foi a bola, mas sim ilhas. As Ilhas Malvinas, ou Falkland Islands, deflagraram uma guerra que vitimou 649 soldados argentinos e 255 combatentes britânicos. O estopim foi em 1982, quando o governo liderado pelo ditador Leopoldo Galtineri decidiu invadir as ilhas, administrada pela Coroa Britânica naquele momento, e reivindicá-la para o território argentino.
Porém, o governo da primeira-ministra Margareth Thatcher ordenou uma ofensiva militar para expulsar os argentinos. Pedidos de paz foram realizados em apelo fim da guerra, mas não foram atendidos. O confilto foi finalizado em dois meses, com a derrota das forças sul-americanas.
Durante o conflito, o Reino-Unido contou com apoio militar e logístico dos Estados Unidos, através do fornecimento de armas e abertura do Canal do Panamá, facilitando a vitória inglesa.
Justificativas
Os argentinos justificam a reivindicação com a localização das ilhas, que estão a 600 quilômetros da Argentina, e a vertente de que os espanhóis, que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata – a Argentina antes da independência – ocuparam as ilhas primeiro, nos anos de 1820.
Os ingleses, por sua vez, alegam que tomaram o território em 1765, anterior ao período defendido pela Argentina. Eles também descrevem que, em 1833, enviaram um navio de guerra para expulsar representantes do país sul-americano de forma leg[itima, defendendo territórios que lhe pertencem e tirando forças que tinham tentado tomar as ilhas.
“Mão de Deus” ou “La Mano de Dios”
A Guerra das Malvinas foi um dos principais combustíveis argentinos para conquistar a Copa do Mundo de 1986, no México. Nas quartas de final, a Argentina enfrentou a Inglaterra e venceu por 2 a 0, com gols de Diego Maradona. O craque marcou dois gols históricos, sendo o primeiro deles com a mão esquerda, após subir em uma disputa de bola com o goleiro Peter Shilton.
Para os argentinos, o primeiro gol marcado por Maradona representou uma justiça divina, abrindo o caminho para o triunfo no campo, que culminou no título da Copa, e revanche pela perda das Malvinas e mortes dos soldados argentinos.
Comemoração pela morte da rainha
A morte da rainha Elizabeth II, setembro de 2022, mostrou que as feridas pelas Malvinas ainda permanecem vivas para muitos argentinos. À época, o apresentador e jornalista Santiago Cúneo comemorou a confirmação da morte abrindo uma garrafa de champanhe em um programa na TV aberta.
Ele fez vários xingamentos contra Elizabeth, chamando-a de “lixo inglês”, “imundície” e “Lúcifer”.
“Champanhe para todos. O filho da p*** do marido dela já morreu, e estamos comemorando a morte de todos os malditos ingleses de m**** que fazem parte dessa coroa imunda, pirata, ladra, genocida, assassina, que tanto nos atormentou”, disse.
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