10 de fevereiro de 2025

Presos são vistos durante rebelião no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte — Foto: Nacho Doce/Reuters

Por g1 RN

Oito anos após a rebelião mais violenta do Rio Grande do Norte – que ficou conhecida como massacre de Alcaçuz – 19 presos continuam desaparecidos. Eles estariam na unidade prisional quando a rebelião eclodiu em janeiro de 2017.

O Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DPE/RN) entraram com uma ação civil pública contra a União e o estado do Rio Grande do Norte por omissão na apuração desses desaparecimentos.

O g1 procurou a Procuradoria-Geral do Rio Grande do Norte para comentar sobre a ação, mas não havia recebido respostas até a atualização mais recente desta reportagem. O Ministério da Justiça e Segurança Pública também não respondeu aos questionamentos da Inter TV Cabugi.

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) informou que atualmente o Estado cumpre todas as exigências quanto à segurança nos presídios.

A rebelião foi marcada por brigas de facções criminosas que resultaram em massacres e levaram, pelo menos, 26 detentos à morte.

O objetivo da ação é responsabilizar os gestores pela falta de medidas efetivas para esclarecer a situação desses presos desaparecidos e obter a reparação integral dos danos materiais e morais causados aos familiares das vítimas.

Além disso, a ação visa doção de medidas que impeçam a repetição das cenas de caos observadas há oito anos na penitenciária.

Responsabilidade

 

A ação aponta que o Estado do RN falhou na gestão do sistema prisional, permitindo a rebelião e não adotando providências efetivas para evitar mortes e desaparecimentos.

A União, por sua vez, conforme indicado na ação, foi negligente na fiscalização e no cumprimento de compromissos internacionais de direitos humanos, incluindo a Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra o Desaparecimento Forçado, à qual o Brasil aderiu em 2007.

O documento foi assinado pelo procurador da República Fernando Rocha, pelo defensor público estadual Rodrigo Gomes e pelas defensoras públicas federais Carolina Soares e Flávia Fernandes.

Medidas

Além da responsabilização dos gestores, a ação também requer que sejam adotadas medidas concretas para localizar os desaparecidos e garantir transparência na investigação. Entre as providências previstas na ação estão:

  • criação de um plano de contingência para crises no sistema prisional;
  • fortalecimento dos mecanismos de controle externo sobre as unidades prisionais;
  • implementação de tecnologias de monitoramento, como câmeras e drones;
  • fornecimento de informações contínuas às famílias das vítimas;
  • implementação de um banco de dados genéticos para identificação de possíveis vítimas;
  • e adoção de um sistema de registro eficiente de movimentação dos detentos.

 

Violação

 

A investigação do MPF teve início a partir de relatórios do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), que identificou indícios de desaparecimento de internos, além de relatos sobre a incineração e descarte de corpos em fossas sépticas.

O inquérito do MPF apontou a ausência de perícia adequada, falhas na preservação da cena do crime e contradições nos dados oficiais sobre foragidos, mortos e desaparecidos.

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: RN
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