9 de abril de 2025

A indústria brasileira está preocupada com uma possível consequência da sobretaxa americana nos produtos chineses.

China traçou o caminho do sucesso econômico quando escolheu ser o parque industrial do mundo. Com a força do trabalho da população, se tornou um exportador gigante.

E se um dia produto chinês já foi sinônimo de má qualidade, hoje o mundo tem uma opinião bem diferente e reconhece a tecnologia de ponta do que é produzido lá.

A chegada ao Brasil foi pelos camelôs – produtos de má qualidade, cópias baratas de marcas oficiais. Mas o “Made in China” avançou e foi parar nas etiquetas das roupas, nas peças de eletrodomésticos, nos eletroeletrônicos. Já tem marca em mandarim de celulares, carros elétricos, máquinas agrícolas, adubos e fertilizantes.

Na avaliação de economistas, a invasão chinesa de mercados pelo mundo pode ser o próximo capítulo da guerra tarifária.

O principal cliente, hoje, é o maior opositor. Mas com as sobretaxas americanas, a fatia que cabe aos Estados Unidos deve ir para outros mercados. O Brasil, por exemplo, 15º na lista de compradores.

É o que calcula a Casa Branca. Nesta quarta-feira (9), o secretário do Tesouro dos Estados Unidos explicou a estratégia:

“A economia chinesa é baseada em inundar o planeta com produtos baratos. O resto do mundo agora vai entender. Nossas exportações vão para os países do G7 e do Sul Global.”

É um cenário provável, na opinião do especialista em relações internacionais Thiago de Aragão.

“Eles vão precisar manter a máquina industrial rodando. Então, você vai precisar desovar isso em algum lugar. O Brasil pode ser um destino de produtos que são necessários para o dia a dia, seja para indústria, sejam componentes, que pode acabar barateando o acesso desses produtos por parte da população. Mas, por outro lado, o Brasil também vai ser um destino cada vez maior de dumping chinês, que é jogar produto em determinado país, e isso já acontece com o Brasil e a tendência é que isso aconteça ainda mais. Fica muito difícil concorrer com a China por mil razões, pelo custo de produção na China que é muito mais baixo, pelos subsídios do Estado que são muito altos. O que para o consumidor é excelente, mas para disputa interna e com a indústria brasileira é problemático”, afirma Thiago de Aragão, CEO da Arko International.

Já está na conta da indústria.

Por Jornal Nacional

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: Brasil, ECONOMIA, Internacional
FAO
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