4 de agosto de 2024

Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters

Uma semana após o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, ter sido declarado reeleito, a postura do Brasil sobre a contestada eleição continua a mesma: não reconhece nem refuta o resultado.

O passar dos dias aumenta a pressão sobre o governo e, entre os próximos passos planejados, estão uma ligação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Maduro. Também pode haver uma viagem de chanceleres para negociações em Caracas (veja mais abaixo).

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) — órgão do Executivo, na prática controlado por Maduro — o atual presidente venceu com 51% dos votos. Esse anúncio foi feito no domingo (28), dia da eleição, e reiterado nesta sexta-feira (2).

A oposição venezuelana, por sua vez, alega que houve fraude eleitoral e que, na verdade, o vencedor foi o oposicionista Edmundo González. As atas eleitorais — espécie de boletins com os registros das urnas — ainda não foram apresentadas.

A alegação de fraude é sustentada por países como Estados Unidos, Argentina, Chile e Uruguai, que não reconhecem Maduro como vencedor.

Já o governo brasileiro vem adotando a mesma postura desde o domingo (28) da eleição: pedir que o CNE apresente as atas. Só depois disso, o Brasil terá condições de dizer se reconhece ou não o resultado, segundo o governo.

Maduro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm histórico de serem aliados. No início do mandato, Lula buscou reintegrar a Venezuela à comunidade sul-americana e defender Maduro das suspeitas de sucessivas fraudes em eleições no país e da supressão de direitos políticos na Venezuela.

A relação começou a esfriar nos últimos meses, depois de denúncias de perseguição de Maduro à oposição venezuelana e da falta de transparência no processo eleitoral.

Diante do impasse entre tensionar a relação com o aliado ou ser criticado por tolerar uma eleição antidemocrática, Lula vem buscando se equilibrar.

“É normal que tenha uma briga. Como resolve essa briga? Apresenta a ata. Se a ata tiver dúvida entre a oposição e a situação, a oposição entra com um recurso e vai esperar na Justiça o processo. E vai ter uma decisão, que a gente tem que acatar. Eu estou convencido que é um processo normal, tranquilo”, afirmou o presidente em entrevista à TV Centro América, afiliada da TV Globo em Mato Grosso, na terça-feira (30).

Depois que o resultado foi reiterado nesta sexta — ainda sem apresentação de atas — o Palácio do Planalto emitiu uma nota.

“O governo brasileiro não tem novas manifestações”, dizia o texto.

Por Ricardo Abreu, TV Globo — Brasília

Postado por Blog Cardoso Silva
Categorias: Brasil, Internacional
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